Regra número 1 de qualquer escritor: Introduzir um texto de forma envolvente para o leitor.
Por infortúnio, eu nunca fui e nunca serei escritora.
Mas, como é chamado aquela pessoa que, vez ou outra, sente um impulso descontrolado de, de alguma forma, por no papel tudo que lhe incomoda sobre os acontecimentos que lhe acercam? Sobre as experiências que vive e a visão que adquiriu da vida?
Aliás, sim. No papel.
Sem tecnologia. Sem celulares, sem computadores, sem incitações de redes sociais. Nada disso. Apenas papel e caneta. Caneta no papel. Nada mais.
Essa sou eu.
Sempre fui inspirada por experiências, músicas, amores, ganhos e perdas. Inspirada por detalhes que me acompanharam durante toda a vida e, um dia, eu o percebi de forma diferente.
Como quando você está ciente dos calos nas mãos dos avós, nos calos nos pés das mães que caminharam um longo percurso para conquistar tudo que possuem hoje, e quando você procura na sua mão lisa e macia os seus calos, você encontra um único calo localizado na ponta do dedo médio, causado pelo trabalho árduo e incessante de, dia pós dia, ano pós ano, ter segurado uma caneta. Você segurou uma caneta durante toda a sua vida.
Educação excessiva para a geração mais mal educada de todos os tempos.
De ter o privilégio da aprendizagem e conhecimento e desperdiçá-lo com um egocentrismo cômico. Que não dá importância para o significado das palavras. Nem ao menos conhecem o significado delas, não porque não tiveram oportunidade de aprender, mas porque não se importaram. Geração que prega e exige fidelidade, se diz fiel ao parceiro, mas desrespeita pai e mãe e não sabe que fidelidade faz parte de todas as relações humanas: Profissional, amistosa, afetiva, auto-pessoal... Que distribui juras de amor sem saber amar, sem compaixão com quem chama de amigo. - If you do harm, you don't know love to it's fullest.
Eu passei por diversas experiências que me fizeram o que sou.
Veja, depois da minha primeira desilusão amorosa, eu absorvi um punhado de energias negativas que me fizeram afundar e afogar em tristezas cada vez mais profundas. Eu sufocava. Eu me convencia de que EU era o problema. Que se alguém não me amava era minha culpa, porque eu não era o suficiente. Não era magra o suficiente, bonita o suficiente, inteligente o suficiente. E o mais engraçado: Eu não me sentia suficiente para pessoas que também não eram e nunca foram.
Até que, um dia, eu li em algum site algo que dizia que as coisas mudariam quando eu começasse a emitir a minha própria frequência, ao invés de absorver as frequências em torno de mim (que no caso eram todas negativas). Quando eu passasse a deixar minha marca no universo, ao invés de receber uma marca da existência.
Então, eu o fiz.
Naquela época eu não conseguia entender exatamente como eu poderia emitir minha essência da forma como eu entendo agora, mas mesmo sem entender, aquela frase agravou-se profundamente na minha alma. Em vez de apenas receber inspirações, eu passei a inspirar. Coloquei para fora todas as minhas vontades e minha personalidade. Aquela personalidade apaixonada e feminina, embora machucada e quebrada em pedaços. Maluca. Por vezes sombria.
Minhas roupas eram pretas mas meu cabelo era colorido. Minha maquiagem era pesada mas minhas unhas eram rosa bebê.
De repente, eu juntei o sombrio ao jovial: Um pentagrama pendurado no pescoço e um olho colorido e terno. De repente, tudo aquilo que me fez criança - Sereias e bonecas barbies - eram a maneira como me apelidavam. De repente, Aquelas maquiagens de formas diferentes estavam sendo reproduzidas em rostos de outras meninas que achavam legal. De repente, aquele nickname (psychondriac) que une duas doenças que eu posso ter experienciado, estava sendo reescrito de forma diferente por pessoas que nem sabiam seu significado. De repente, tudo que eu sempre quis ser, era exatamente o que eu estava me tornando - Magra.
E foi dessa forma, emitindo minha essência, transmitindo minha frequência, influenciando e inspirando, que, de repente, eu percebi que eu nunca fui o problema.
Que eu amei da forma mais pura que eu pude, e, que, se não fui retribuída, isso contribuiu para tudo que sou agora: Capaz. Capaz de ser quem, o que e como eu quiser.
Que eu batalho para ser o melhor que posso e que eu mereço o melhor.
Que meu calo no dedo pode me levar para onde eu quiser.
Que meus conhecimentos e meu português rico na ortografia e vocabulário não é para o bico de qualquer zé-mané.
Que, uma menina como eu, que lê em português e inglês, escreve também, que toca, que canta o inglês fluente, que estuda, conhece, descobre seus limites e barreiras, suas dificuldades e facilidades, seus defeitos e qualidades, que ama, se entrega, se doa por inteiro nas amizades que faz, não merece nada que seja menos.
Eu já não aceito menos.
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